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Eleições 2018: Retrato da Polarização Política no Brasil

Divergências políticas de uma eleição que entrou para a história do país

Breve História da Democracia Brasileira

O Brasil passou por períodos turbulentos até a formação da atual democracia que vigora após a constituição de 1989. Nosso país já foi Reino Unido de Portugal, Império, República velha, Estado Novo, experimentou um período instável de 9 anos de regime democrático (1945 - 1964) até a implementação do Regime Militar, que perdurou do dia 1 de abril de 1964 até 15 de março de 1985.

 

O fim do governo militar ocorreu após as eleições indiretas que elegeram Tancredo Neves como presidente, entretanto o candidato eleito faleceu antes de assumir a cadeira presidencial, governando assim o vice da chapa José Sarney.

 

O ano de 1989 é histórico para a República brasileira, foram as primeiras eleições diretas em que os brasileiros tiveram a oportunidade de escolher diretamente seus representantes, com 22 candidatos para presidente república quem se consagrou vencedor foi o atual senador pelo estado Alagoas Fernando Collor, no entanto renunciou do cargo no dia 29 de dezembro de 1992 após denúncias de envolvimento com caso de corrupção, assumindo como presidente seu vice Itamar Franco.

Sobre

Corrida Presidencial 2018, Primeiro TurnoCorrida Presidencial 2018, Primeiro Turno

O dia 15 de Agosto de 2018 marcou o fim do prazo para registro de candidaturas para presidentes do Brasil. Nessa eleição, a população brasileira pode escolher de forma direta os políticos que ocuparão os cargos de Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador e Presidente.

 

Na largada dos presidenciáveis, 13 candidatos se apresentaram como postulantes a ocupar o Palácio do Planalto em Brasília. Eram eles:

Fatos Marcantes

A corrida presidencial brasileira foi marcada por incertezas em torno de alguns nomes, dentre eles o até então candidato Luiz Inácio Lula da Silva que teve sua candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente Lula se encontra preso em Curitiba desde o dia 7 de Abril deste ano, acusado pelo juiz Sérgio Moro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no processo do apartamento triplex no Guarujá, pagando uma pena de 12 anos e 1 mês, levando Fernando Haddad a  liderança da chapa.

 

Com o fim do registro de candidaturas no TSE, as campanhas eleitorais começaram oficialmente no dia 16 de Agosto tendo partida em redes sociais, televisão e rádio. O primeiro debate em TV aberta aconteceu no dia 9 de Agosto mediado pelo canal televisivo Band, este ficou marcado pelo surgimento de uma figura política, até então, desconhecida: Cabo Daciolo, que questionou o candidato Ciro Gomes (PDT) sobre o Foro de São Paulo e o Plano Ursal. (Link do Vídeo, Ciro e Daciolo)

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A disputa presidencial permanecia tranquila e marcada de certezas em relação ao favoritismo dos candidatos. Entretanto, no dia 6 de Setembro na cidade de em Juiz de Fora (MG) o candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi esfaqueado durante campanha por Adélio Bispo, 40 anos, ex missionário evangélico que há anos estava afastado da família devido a seus ideais problemáticos.

 

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Adélio Bispo preso após esfaquear Jair Bolsonaro

Outra polêmica relacionada ao candidato Jair Bolsonaro deu-se por conta de um vídeo em que seu vice General Hamilton Mourão (PRTB), no dia 25 de Setembro em uma palestra em Uruguaiana (RS), afirmou que o 13º salário é “Jabuticaba brasileira”. Ainda assim, Bolsonaro obteve 46,03% dos votos válidos partindo para o segundo turno com Fernando Haddad que obteve 29,27% dos votos válidos.

 

Essas eleições também foram marcados pelo posicionamento de alguns artistas e celebridades, dentre estes a cantora Daniela Mercury e o sertanejo Zezé Di Camargo que expuseram claramente suas opiniões políticas.

 

O cenário político brasileiro também reverberou internacionalmente. O músico Roger Waters, um dos fundadores da banda inglesa de rock Pink Floyd, no dia 25/10 em um show de sua turnê pelo Brasil, em São paulo, exibiu a hashtag #EleNão dividindo seu público entre vaias e aplausos. Além disso, veículos de imprensas internacionais como The Economist, El país, Washington Post e o The New York Times com um artigo publicado pelo cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso alertaram sobre os perigos de uma possível vitória de Jair Bolsonaro.

 

Opinião Popular Regional

Durante a véspera do segundo turno das eleições fomos a campo no centro da cidade de Crato, onde foi possível visitar algumas sessões eleitorais para realizar entrevistas de opinião popular, a fim de extrair variações de ideias sobre a polarização política refletida na região. Para todos os entrevistados foi indagada a seguinte questão:

 

“Qual sua visão sobre nosso atual cenário político? E seu candidato escolhido, por que acredita que ele é capaz de guiar uma nação? As propostas e os planos divergem positivamente sobre todos os brasileiros?”

 

A seguir, as divergências de opiniões obtidas.

J.B (62 anos), Funcionário Público

 

“Sobre as eleições desse ano, tendo em vista os 13 anos que nós passamos com o governo do PT, embora tenha feito boas coisas para o povo mais humilde no Nordeste ele também não foi tão viável para as condições que o país passou, com toda a corrupção, a exploração, tudo isso que vemos nas manchetes de jornais e revistas não fez bem pra esse país. Portanto, boa parte dos eleitores estão escolhendo o candidato Bolsonaro. Não sabemos ainda como vai ser o governo dele, mas queremos mudança. Justifica votar nele porque acreditamos que ele vai melhorar as condições econômicas do Brasil, caso ele não faça um bom governo cabe aos eleitores, nas próximas eleições daqui a 4 anos, não elegerem mais o partido, ou o candidato, que exerceu esse governo que nos prejudicou.”

 

 

 

Marcelo Florencio, educador

 

“O que preocupa no Brasil, atualmente, é essa política polarizada entre dois lados, é essa política de ódio, de violência. No meu caso eu penso que armamento não é uma solução para o país. A violência vai aumentar junto com os conflitos, acredito que a solução é a educação, é o respeito, amor acima de tudo, esse é o caminho. Esperamos que o amor sempre vença o ódio e sempre com democracia e respeito ao próximo.

Meu candidato, como ministro da educação no governo Lula, foi o ministro que mais construiu universidades nesse país. Nós da região do Cariri somos consagrados com pelo menos 3 campus da Universidade Federal do Cariri e mais dois Institutos Federais que receberam toda uma carga de investimentos tecnológicos, modernização e ampliação do seu campus. Por isso eu acredito que o caminho da educação é o caminho certo, o projeto do meu candidato: educação, tolerância e respeito.

 

 

Maria de Lourdes Batista Cavalcante

 

“Votei no 13 porque sou nordestina, venho de um povo humilde e trabalhador! Sou de classe pobre e pretendo me aposentar, se eu votasse na oposição isso seria bem mais difícil. O 13 vem dando oportunidades para a pobreza que hoje pode ter televisão, internet, um carro, uma moto, ter moradia, tudo isso graças ao 13. Criaram faculdades na região e deram condições para os pobres entrarem nessas faculdades também. Então a raiva toda da oposição é porque o pobre conseguiu chegar onde eles estão, estão ficando igual a eles, aí eles não se conformam porque o filho da empregada chegou a estudar no mesmo lugar que o filho do patrão empresário rico. Eles tem raiva porque o negro, o homossexual e o pobre agora estão cada vez mais perto deles. Pra quê essa discriminação? De jeito nenhum. Todo mundo veio de Deus, viemos de um mesmo lugar e depois vamos pra outro mesmo lugar também.

Eu não quero Bolsonaro porque ele é um louco! Eu quero é Haddad! Ele é humilde, pacato, gente muito especial, Bolsonaro é louco, sem juízo e não queremos ele no poder.”

 

 

 

 

Pâmela Queiroz (21 anos), estudante de Jornalismo

 

“Eu acho que a gente tá vivendo um momento realmente histórico, esse processo eleitoral pode ser considerado um divisor de águas para a democracia do país, a estruturação e o fortalecimento, ou enfraquecimento, também dessa democracia. Temos dois candidatos que apresentam projetos políticos totalmente diferentes, totalmente opostos. Temos um candidato que não comparece aos debates, que reivindica o ódio, totalmente extremista e intolerante. Do outro lado é muito importante lembrar que temos um professor, um educador que apresenta outro projeto político que se coloca numa frente que reconhece que estamos vivendo um processo de mudanças e instabilidades econômicas e culturais, mas que reconhece que as saídas não estão na violência ou extermínio. Eu acho que colocar a educação como patamar de mudança e transformação social é absolutamente importante. Votar 13 hoje é a melhor negação contra o projeto político do outro candidato, mas é importante colocar que, independente da vitória de qualquer candidato, teremos que nos preparar pra um momento de luta no país.”

 

 

 

D.A (20 anos), estudante

 

Iniciando com um clichê, um cenário super polarizado rodeado insatisfação e populismo, há boas propostas dos dois lados se pararmos para analisar, mas o fanatismo nos faz acreditar que isso é ruim só por ser de direita ou de esquerda e assim evitamos uma análise mais profunda.


Não é só ele que vai guiar a nação, é uma equipe, que pela primeira vez não será formada por troca de cargos. Acredito que o resultado veio de uma insatisfação com mais 20 anos da mesma coisa, as boas propostas do antigo governo vão continuar, algumas receberam reformas e novas propostas serão feitas. Propostas mais liberais tomarão de conta dessa vez é muitas pessoas acreditam nelas, medidas que prezam pela liberdade individual, pelo desenvolvimento econômico e geração de emprego por meio da produção e não da geração demanda, além de uma redução do Estado que ao longo desses anos se tornou gigantesco e improdutivo, esperança de que tudo possa melhorar mas sem bajular, saber reconhecer se errar.


Muitas atribuições a ele não são boas, mas não foram os motivos para votar nele, assusta muito um fã clube se achar dono de tudo e tomar atitudes agressivas, esperamos que ele veja isso como crimes também. Sobre divergir a todos acreditamos que ninguém será excluído, não é só assim, temos leis e instituições fortes e nem todos la tem a mesma mentalidade, somos dois polos de uma mesma nação, um povo só, que merece tudo de melhor sem que nos olhem com diferenças, a raiz é a mesma, programas sociais devem ser mantidos com a esperança de que um dia as pessoas não precisem mais deles, universidades devem ser aprimoradas e mantidas além do fortalecimento da educação básica, tudo isso sem tapar o olho para alguns. Não era minha opção de candidato mas ganhou, a luta de muitos continuam, e deve ser reconhecida, mas como nação devemos sempre torcer pro melhor, mesmo não sendo nossa opção

Corrida Presidencial 2018, Segundo Turno

O segundo turno foi disputado entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. A eleição já se demonstrava definitiva devido a larga vantagem do candidato do PSL em cima do candidato do PT. Bolsonaro optou por prosseguir sua campanha de dentro de casa, já que se recuperava do atentado que lhe aconteceu em Juiz de Fora, levando-o a não participar dos debates televisivos. Seu adversário optou por visitar algumas regiões do país, principalmente a região Nordeste, no entanto houveram momentos de “saia justa” em seu palanque, tendo como exemplo o rapper Brasileiro Mano Brown que afirmou não ser pessimista e sim realista quanto ao governo do PT, ele disse “Não estou pessimista. Sou realista. Se algum momento a comunicação do pessoal daqui falhou, vai pagar o preço. A comunicação é alma”. Além disso, o atual senador Cid Gomes, em Fortaleza (CE), criticou o PT com um reiterando a prisão de Lula e que o partido deveria admitir uma meia culpa.

 

No dia 28 de Outubro ocorreram as votações do segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, conquistando a vitória o Capitão da reserva do exército Jair Messias Bolsonaro de 63 anos com uma porcentagem de 55,13% dos votos válidos sobre Fernando Haddad que obteve 44,87% dos votos válidos.

O Melhor do Brasil é o Brasileiro

Durante todo o processo eleitoral, os nervos estavam na flor da pele e as preocupações eram inevitáveis. Porém, brasileiro sempre faz meme pra tudo, então confira:

 

Equipe

Raoni Bezerra

Saulo Rodrigues

 

Suporte técnico

Hanna Menezes

 

Professores Orientadores

Diógenes Luna

Ivan Satuf

 

Reportagem multimídia apresentada na disciplina de Laboratório de Jornalismo Digital  | 6º semestre | 2018

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